Olá Clubeiros !!!

Olá Clubeiros !!!

14 Bis com Flávio Venturini

Feliz chegada da Primavera!

Depois de 20 anos sem tocarem juntos, o cantor Flávio Venturini e o grupo 14 Bis fizeram duas apresentações (Projeto Álbum 14 Bis II) neste final de semana, no SESC Belenzinho em São Paulo. Foi de arrepiar: com uma sintonia perfeita, os instrumentistas presentearam o público com um show virtuoso e cheio de emoção. Parafraseando a jornalista Patrícia Palumbo, "o disco 14 Bis II com suas melodias apuradas, harmonias sofisticadas, vocais em conjunto, um lirismo delicado e raro traz esse tipo de música que é mais leve que o ar. Perfeita pra tocar no radio e encantar multidões. O nome da banda não podia ser mais adequado". Para mim, não somente o disco 14 Bis II, mas toda a trajetória da banda é permeada de leveza e sintonia, fruto da dedicação, amor e simplicidade de cada integrante (adoráveis criaturas).

Comemoramos a chegada da Primavera ao som de Flávio, Cláudio, Magrão, Vermelho e Hely Rodrigues, o 14 Bis! Ótima Primavera a todos!

Blog Percepção!
Fernanda Paro

ENSAIO - Pré Show - Estúdio Maurício Gasperini


Fotos Pedro Rossi

Bituca, 50 anos de carreira - São Paulo

Uma das máximas da música é que os artistas devem guardar os melhores momentos dos shows para o final, porque esta será a última lembrança do público ao voltar para casa. Pois Milton Nascimento seguiu esta regra à risca no show que fez nesta sexta-feira (3 de Agosto) no HSBC Brasil, em São Paulo. Com um bloco final eletrizante, o cantor conseguiu emocionar o público.

Fotos Pedro Rossi

As duas canções do bis, por exemplo, levaram parte da plateia às lágrimas. Na primeira, "Canção da América", Milton nem sequer precisou cantar: sentado numa cadeira no meio do palco, pediu que o público cantasse a música em seu lugar - foi atendido. Era como se estivesse guardando a voz para a canção seguinte, "Travessia". Seu primeiro sucesso, lançado há 45 anos, voltou em uma versão emocionante.
Algusto Gomes
 
 
Veja abaixo o repertório do show desta sexta-feira (3) no HSBC Brasil, em São Paulo:
"Cais"
"Vera Cruz"
"Canção do Sal"
"Clube da Esquina 2" (Milton e Lô Borges)
"Nuvem Cigana" (Lô Borges)
"Planeta Blue"
"Anima"
"Lágrima do Sul"
"Amor de Índio"
"Promessas do Sol"
"Morro Velho" (Sandy)
"Nos Bailes da Vida" (Milton e Sandy)
"Raça"
"Maria, Maria"
"Nada Será Como Antes" (Milton e Lô Borges)
"Para Lennon e McCartney (Milton e Lô Borges)
"O Trem Azul (Lô Borges)
"Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" (Lô Borges)
"Sofro Calado"
"Canções e Momentos"

Bis
"Canção da América"
"Travessia"

Show Milton Nascimento - Ingressos para SP


Local: HSBC Brasil - São Paulo/SP
Data : 03-06-2012
Horário : 22h00m
Endereço: Rua Bragança Paulista, 1281 - Chácara Sto. Antônio


Para comprar :
http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=21804

Acesse Marolo produções :
http://www.maroloproducoes.com.br/

Contato:
Marolo Produções
Tel.: (11) 2338-1485
imprensa@maroloproducoes.com.br

Entrevistas:
Danilo Nuha
Tel.:(21) 8633-9802
danilo@miltonnascimento.com.br

Milton Nascimento - 50 ANOS de Carreira

Falando à Folha por telefone de sua casa-estúdio no Rio, Milton Nascimento não teme soar demagógico. Prefere atribuir ao acaso o momento mais decisivo de sua longa carreira, quando o cantor Agostinho dos Santos, já morto, inscreveu às escondidas três músicas do colega no Festival Internacional da Canção de 1967.

Não fosse a ousadia visionária do amigo, Milton talvez não pudesse dar início às comemorações de seus 50 anos de história na música.

Casada com os 35 anos de seu primeiro álbum, "Travessia", e com seu 70º aniversário, em outubro, está uma agenda de oito apresentações pelo Brasil, sempre com participação especial de Lô Borges, coautor do clássico "Clube da Esquina", de 1972.

"Resolvi homenagear o 'Travessia' porque é um disco muito importante para mim, que me lançou no Brasil e para fora, ao lado do Tamba Trio, grupo do qual sempre fui fã", diz o cantor.

Daryan Dornelles/Divulgação


Milton Nascimento, 69, sai em turnê por 8 cidades

Ao definir o repertório do show, que em cada palco terá um convidado local, Milton preferiu recorrer à velha fórmula dos grandes sucessos, mas com um diferencial.

"Haverá músicas desde aquela época até hoje, só que com algumas surpresas", adianta, sem revelá-las.

No Rio, no dia 6 de outubro, a temporada ganhará registro em DVD. A ideia é distribuí-lo no ano que vem em escolas públicas da cidade mineira de Três Pontas, berço musical e afetivo do inusitadamente carioca Milton.

"É mais um tributo que presto às minhas origens. O que a cidade e seus músicos me deram é muito forte."

Quase um septuagenário, "Bituca" --apelido dos tempos de infância-- se diz envaidecido com o reconhecimento recebido no Brasil e fora dele. É provavelmente o artista da MPB ao qual o jazz mais se curvou (Sarah Vaughan, Wayne Shorter e a jovem Esperanza Spalding, para citar alguns nomes).

Ainda que ostente tamanho status, ele prefere olhar adiante. É eclético, gosta de novidades. Ao atual espetáculo de Maria Rita, que lembra os 30 anos da morte de Elis Regina --sua inesquecível parceira--, é só elogios. "Fiquei muito feliz, pois não é ela tentando imitar a mãe. É uma homenagem linda."


Para o futuro próximo, novidades. O "ano Milton" reserva ainda o lançamento de dois livros: um baseado no registro de conversas com o músico Chico Amaral e outro recheado de letras, quatro delas inéditas. Os planos não param por aí.

"Como o Lô está comigo, às vezes fico pensando em, quando acabar essa comemoração, continuar tocando com ele e fazer um show do Clube da Esquina."

MILTON NASCIMENTO - 50 ANOS DE CARREIRA

21/04:  Juiz de Fora, Theatro Central
27/04:  Belo Horizonte, Palácio das Artes
18/06:  Brasília, Centro de Convenções Ulysses Guimarães
03/08:  São Paulo, HSBC Brasil
18/08:  Porto Alegre, Auditório Araújo Vianna
01/09:  Salvador, Teatro Castro Alves
09/09:  Três Pontas, a definir
06/10:  Rio, Vivo Rio

Coleção Milton Nascimento - Abril Coleções

Ao completar 50 anos de carreira, Milton Nascimento ganha uma discografia à altura de seu talento. A coleção Milton Nascimento, da Abril Coleções, reúne os 20 maiores discos da carreira do cantor e compositor que colocou Minas Gerais no cenário musical brasileiro e mundial. Estão ali o primeiro disco, de 1967, com Travessia, a música que lançou Milton, e trabalhos antológicos como Clube da Esquina, Minas, Gerias, Caçador de Mim, entre outros.

Em formato livro-CD, a coleção traz o disco, as capas, e as gravações originais, as letras das músicas, ficha técnica completa e fotos cuidadosamente selecionadas de cada trabalho de Bituca, como ele gosta de ser chamado. Os textos esquadriam o processo de criação das músicas, as parcerias e cada momento da trajetória artística de Milton, além de revelarem fatos pouco conhecidos da vida do artista.

"Se Deus cantasse seria com a voz de Milton", disse Elis Regia sobre o amigo. A voz única de Bituca pode ser ouvida em todo seu vigor em Milton Nascimento/67, o primeiro volume da coleção e o disco de estréia do então jovem cantor e compositor. Dele, além de travessia, fazem parte músicas como Morro Velho e Canção do Sal, que revelaram um criador capaz de misturar bossa nova, samba de raiz, jazz, rock, ritmos africanos e canções regionais num resultado absolutamente original e inovador.

Confira no vídeo o release da coleção Milton Nascimento:


Os volumes da Coleção Milton Nascimento:

01) Milton Nascimento-1967
02) Clube da Esquina
03) Milagre dos Peixes
04) Minas
05) Geraes
06) Caçador de Mim
07) Courage
08) Milton Nascimento-1969
09) Milton-1970
10) Milagre dos Peixes ao Vivo
11) Milton-1976
12) Clube da Esquina 2-parte 1
13) Clube da Esquina 2-parte 2
14) Jorney to Dawm
15) Sentinela
16) Anima
17) Missa dos Quilombos
18) Milton Nascimento ao Vivo
19) Encontros e Despedidas
20) A Barca dos Amantes.

Caricatura de Lula Palomanes

EM localiza Tonho e Cacau, a dupla que estampou a capa do Clube da Esquina há 40 anos

Ainda mais rápidos do que o habitual, os passos do editor de Cultura, João Paulo Cunha, na manhã de terça-feira, só poderiam significar duas coisas: ou algum artista importante tinha morrido ou… “Achamos os meninos!”. João Paulo acabara de saber que a repórter Ana Clara Brant e o fotógrafo Túlio Santos tinham cumprido a missão que lhes foi confiada na semana passada: percorrer os arredores de Nova Friburgo e localizar, 40 anos depois, os dois garotos que aparecem na capa do Clube da Esquina. A única referência eram indicações um tanto imprecisas do autor da imagem, o fotógrafo pernambucano Cafi, que clicara os garotos a caminho da fazenda da família de um dos letristas do disco, Ronaldo Bastos, e jamais havia os reencontrado.

Munida de cartazes com a reprodução da fotografia, a dupla chegou à Região Serrana do Rio de Janeiro e saiu em busca do objetivo. Conversou com mais de 50 moradores da região. Suposições, negativas, dúvidas… até que uma das entrevistadas, Beth, bateu o olho na foto e, sem hesitar, identificou os garotos. Vieram outras confirmações e o trabalho passou a ser não só localizá-los, mas promover o inédito reencontro. Às 16h de quarta-feira, a repórter ligou para a redação e, eufórica, anunciou que a missão estava cumprida. Depois de escutar o relato, temperado por surpreendentes coincidências e lances inusitados, perguntei a Ana Clara se havia ficado emocionada com o desfecho da busca. E a resposta não poderia ser mais mineira: “Nó! Tirei até uma foto com eles, uai!”.

Com vocês, a história de dois meninos brasileiros que partilharam pães e sonhos numa estrada de terra no início dos anos 1970. Lô e Bituca? Não, Tonho e Cacau. Essa é uma história de poeira, espelho, vidro e corte. Mas é, acima de tudo, uma história com gosto de sol.

- Carlos Marcelo

Nova Friburgo - Você já ouviu falar em Tonho e Cacau? Ou quem sabe em José Antônio Rimes e Antônio Carlos Rosa de Oliveira? Provavelmente não, mas certamente já deve ter se deparado com a fotografia deles por aí. Isso porque os dois Antônios ilustram a capa de um dos discos mais importantes da história da música brasileira: o Clube da Esquina. Passados 40 anos que a câmera de Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, registrou os dois meninos sentados na beira de uma estrada de terra perto de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, o Estado de Minas conseguiu localizá-los depois de uma busca que envolveu dezenas de pessoas e teve histórias saborosas.

Durante bom tempo, muita gente chegou a achar que as duas crianças da capa do LP seriam Milton Nascimento e Lô Borges, mas os próprios artistas sempre desmentiram. “A gente chegou a ir atrás deles, mas era muito difícil localizá-los. Eles devem ter caído no mundo”, declarou Cafi antes de a reportagem botar o pé na estrada rumo a Nova Friburgo. Na verdade, “Lô” e “Milton” praticamente nunca deixaram a região conhecida como Rio Grande de Cima, na zona rural da cidade fluminense, onde nasceram e cresceram.

José Antônio Rimes tem 47 anos e curiosamente exerce o ofício de recompositor, responsável por encaixotar, organizar e distribuir as mercadorias na seção de congelados de um supermercado da cidade. Apesar de a reportagem ter percorrido quilômetros até chegar a Tonho, como é conhecido, ele trabalha a um quarteirão do hotel onde estávamos hospedados. O encontro com o “menino branquinho do disco”, como ficou conhecido, foi cercado de expectativas. Os colegas do supermercado já sabiam da história e quando o recompositor chegou até se assustou: “Que tanto de gente é essa? Por que está todo mundo parado?”, espantou-se. Quando viu a capa do disco, não titubeou: “Oh, sou eu e o Cacau. Como é que vocês conseguiram isso? Quem tirou essa foto? Eu me lembro desse dia”, revelou.

Antônio Rimes recorda que estava brincando em um morro de terra removida pelos tratores que ficava próximo a um campinho de futebol, quando Cafi e Ronaldo Bastos passaram dentro de um Fusquinha. “Alguém do carro me gritou e eu sorri. Estava comendo um pedaço de pão que alguém tinha me dado, porque eu estava morrendo de fome, e para variar descalço. Até hoje não gosto muito de usar sapato. Mas nunca soube que estava na capa de um disco. A minha mãe vai ficar até emocionada. A gente nunca teve foto de quando era menino”, disse Tonho, que nunca ouviu falar em Milton Nascimento, tampouco em Clube da Esquina. “É aquele moço que foi ministro?”, indagou.

Já Antônio Carlos Rosa de Oliveira, de 48 anos, o Cacau, conta que não se lembra do exato momento da foto, mas que anos depois, quando morava em Macaé, no litoral norte do estado do Rio, se deparou com a capa do Clube da Esquina em uma loja de discos e desconfiou que se tratava dele mesmo. “Coloquei a mão sobre a minha foto e fiquei reparando aquele olhar. Achei que era eu mesmo e acabei comprando o CD, porque o LP não tinha mais. Até queria um para poder guardar”, frisa Cacau, que durante toda a reportagem não se desgrudou do álbum que pertence a um dos jornalistas do Estado de Minas . “Vou roubar este pra mim”, brincou.

Cacau e Tonho nasceram na fazenda da família Mendes de Moraes, na zona rural de Nova Friburgo, onde os pais trabalhavam como lavradores. Não desgrudavam um do outro e aprontavam bastante, segundo o relato de parentes e vizinhos que ajudaram a reconhecê-los. Jogavam futebol, bola de gude, pegavam frutas nas vendas da região, nadavam na prainha do Rio Grande e nas cachoeiras. Ficaram muito próximos até os 20 anos, quando as famílias acabaram se mudando para bairros diferentes de Nova Friburgo. Tonho ainda vive na cidade com a mãe, a esposa e as duas filhas, mas Cacau se mudou recentemente para Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde presta serviços como jardineiro e pintor.

Mesmo morando a 100 quilômetros de Nova Friburgo, topou reviver com o amigo a clássica fotografia da capa do Clube da Esquina. Não foi fácil localizar o exato lugar, já que a região do Rio Grande sofreu muito com os efeitos da tragédia de janeiro do ano passado e com o tempo. “Isto aqui mudou demais, então não dá para precisar. Quarenta anos não são 40 dias”, filosofou Cacau. Apesar do sol escaldante e da posição desconfortável, eles não se importaram de posar para a máquina fotográfica. “Quer que eu tire o sapato pra ficar parecido? Adoro ficar descalço mesmo! Se tiver um pão, também pode me dar”, pediu Tonho, dando gargalhadas.

Surpresa

A princípio, Tonho e Cacau ficaram ressabiados com a história de estamparem a capa de um LP e ao saber que a imprensa estava atrás deles. As famílias também desconfiaram. A mãe de Tonho, dona Aparecida Rimes, de 69 anos, a toda hora ligava para saber do filho, com receio de ele ter sido sequestrado. “A gente nunca viu isso por aqui. Mas agora que vocês chegaram à cidade estão dizendo que meu filho está até no computador. Fico preocupada”, admitiu a aposentada.

Cacau revela que só se deslocou de Rio das Ostras para Nova Friburgo porque achava que tinha alguma pendenga familiar para resolver. “Pensei que era coisa de pensão de ex-mulher. Essas coisas. Não acreditei muito nessa conversa de repórter não”, justificou o jardineiro, que é fã de MPB e conhece a obra de Bituca. “Gosto muito de Canção da América. É muito bonita. Mas o que vai acontecer agora que o povo vai descobrir que esse menino do disco não é o Milton Nascimento? Será que vão achar ruim comigo?”, questionou receoso.

Apesar de não compartilharem a intimidade de outrora, vez por outra eles se esbarram por Nova Friburgo e colocam o papo em dia. “A gente não tem tempo, fica nessa correria de trabalho, família. Eu fico no serviço das 6h às 18h, então complica demais encontrar com o pessoal. Cada um tomou o seu rumo, mas sempre que a gente se vê é uma farra. Amigo é amigo, né? Para toda a vida”, destacou Tonho.

Cara do Brasil

Autor da imagem original, o fotógrafo pernambucano Cafi conta como nasceu o clique: “A gente ficava andando com o Fusquinha do Ronaldo (bastos) pelas estradas, tirando foto de nuvens, porque a gente ia criar a nossa empresa, Nuvem Cigana. Uma das nuvens, inclusive, está no encarte do Clube da Esquina”. Ao ver os meninos, decidiu fazer o registro: “Foi como um raio”, lembra Cafi. “ É uma imagem forte. A cara do Brasil. E foi na época em que vários artistas estavam exilados fora daqui. E tinha essa coisa da amizade presente também. O Milton adorou a foto e ela acabou indo para a capa”, relembra Cafi, 61 anos, radicado no Rio de Janeiro.

O Clube da busca

Foram necessárias, pelo menos, 53 pessoas para chegar até os dois “garotos”. Porém, algumas tiveram um papel fundamental. O desenrolar do fio da meada se deu quando, a pedido do Estado de Minas, um jornalista de Nova Friburgo, Wanderson Nogueira, anunciou na rádio local sobre a procura. Uma ouvinte da região, a costureira Rogéria dos Santos, de 56 anos, entrou em contato com a reportagem, comunicando que nunca tinha ouvido falar da história do disco, mas conhecia muitos moradores da zona rural que poderiam auxiliar na busca.

Rogéria dos Santos nos levou até a auxiliar de produção Gilcelene Tomaz Ferreira, de 33 anos, pois muitos da cidade desconfiavam que o menino negro do Clube seria alguém da família dela, filho de Severino, um antigo lavrador. Por indicação da mãe de Gilcelene, Helena, chegamos até Erasmo Habata, floricultor da região. Com o LP na mão, assegurou: “Este pretinho não é filho do Severino. Mas este mais branquinho é filho do Laerte Rimes, um lavrador da região. E deve ser o Tonho”, frisou. Outras indicações – pistas falsas – nos levaram a checar várias pessoas, entre elas um paciente internado em clínica psiquiátrica e até um foragido da Justiça.

Na manhã seguinte, partimos atrás de um casal que morou mais de 30 anos na região e conhece todo mundo: a dona de casa Elizabeth Fernandes Silva, de 58 anos, e o pedreiro Fernando da Silva, de 62. “Na época, a dona Querida, que é a mãe do Ronaldo e do Vicente Bastos, lá da Fazenda Soledade, nos mostrou essa foto num pôster. Sempre soube que eram o Tonho e o Cacau. Não temos dúvidas que são eles, porque eles viviam juntos pra cima e pra baixo”, apontou Beth. “Os dois conservam aquele jeitinho. São eles sim e acho que eles vão ficar muito felizes”, opinou Fernando.

E em menos de 24 horas, com a ajuda da população local, finalmente estava desvendado a identidade dos dois meninos da capa do Clube da Esquina. “A gente fica até emocionado. Eles mereciam ser descobertos. É um reconhecimento mesmo com tanto tempo”, resumiu Rogéria dos Santos.

Fonte : O Estado de Minas

Clube 40 anos - Lô Borges: "O clima era de fraternidade"

Ele teve que enfrentar o Exército e a própria mãe para poder gravar o disco que mudaria os rumos da sua vida. Lô Borges era um adolescente de 19 anos quando foi convidado por Milton Nascimento para assinar junto com ele o LP Clube da Esquina e até hoje não se cansa de agradecer ao amigo e parceiro pelo convite. “Sou eternamente grato a ele. Costumo dizer que, no mínimo, de três em três anos tenho que agradecer ao Milton por tudo que ele fez por mim”, salienta. Sentado na famosa esquina da Rua Divinópolis com a Rua Paraisópolis, no Bairro de Santa Tereza, onde deu os primeiros acordes no violão, Lô recorda a experiência mágica da gravação do álbum duplo de 1972 e o que todo aquele processo criativo deixou como legado.

Você começou sua carreira com o pé direito, já que este foi seu primeiro disco. O que ele representou na sua vida?

Foi uma definição do rumo que dei para minha vida. O Milton me convidou para gravar e assinar o álbum com ele e foi uma luta para eu conseguir ir para o Rio. Minha mãe teve que autorizar, porque era ditadura, ela tinha um certo receio, achava que eu corria risco e não foi fácil convencê-la. O fato de o disco ser meu também ajudou, porque, se fosse só uma participação, talvez ela não deixasse. E ainda estava na idade de me apresentar ao Exército. Ia começar a servir e cheguei a ser hostilizado quando comentei que era músico. Contei para o capitão da minha companhia que o Bituca estava me chamando para dividir um álbum com ele. Quando me reapresentei, o capitão perguntou: “Qual é o músico da minha companhia?”. Ele me pegou pelo braço hostilmente e disse: “Você não vai seguir o Exército porque nós não queremos gente da sua espécie aqui dentro, seu comunista, seu esquerdista”. E aí fui praticamente escorraçado do Exército, minha mãe me liberou e finalmente fui gravar o Clube da Esquina no Rio de Janeiro.

E como foi o processo de gravação?

Já saí de Belo Horizonte com o Clube da Esquina bem definido na minha cabeça. Mas disse ao Bituca que só ia ao Rio se pudesse levar um cara que tocava comigo, que tocava Beatles e era da minha banda, The Beavers (Os Castores), porque achava que ele seria muito importante para as minhas músicas. Era o Beto Guedes. Mas nem tudo foram flores para fazer aquele álbum. O Milton travou uma batalha pessoal com a gravadora para poder me colocar no disco, já que eu era praticamente desconhecido. Sou eternamente grato a ele. Costumo dizer que, no mínimo, de três em três anos tenho que agradecer ao Milton por tudo que ele fez por mim. Esse disco mudou a minha vida. Foi muito legal todo o processo. Eu morando com o Bituca, o Beto e o Jacaré, primo do Milton, no Rio de Janeiro. E depois fomos morar numa praia deserta para poder compor. E as coisas iam surgindo. Porque esse disco não teve muito ensaio e nasceram coisas geniais. Vejo como uma verdadeira oficina criativa em todos os aspectos; na música, nas letras. Você pensar que 40 anos depois esse trabalho figura no livro 1.001 álbuns que você deve ouvir antes de morrer é fantástico.

E você ainda teve um outro trabalho muito importante lançado naquele ano, que foi o “disco do tênis” (Lô Borges), não é?

Pois é. Para mim foi uma coisa sensacional. Um começo de carreira iluminado. Foi a duras penas, porque a barra não estava leve. Era ditadura e tudo. O “disco do tênis” foi feito meio na loucura. Eu brinco que ele foi feito igual disco de cantador. Já tinha assinado com a gravadora e não tinha as músicas prontas. Fazia a música de manhã, o Márcio, meu irmão, colocava a letra à tarde e a gente chegava ao estúdio com elas fresquinhas. Eu fiz o Clube no começo do ano e o do tênis no final. Eu era muito menino e foi uma responsabilidade começar de cara gravando com arranjo de Eumir Deodato, orquestra no estúdio, no caso do Clube da Esquina. Eu nem sabia ler partitura naquela época e não podia errar nada. Tinha que ser saudavelmente irresponsável para participar daquilo tudo. Gravar um disco já era uma novidade, um desafio, porque era praticamente ao vivo, e gravar daquele jeito, mais ainda. A partir dali fui sendo conhecido, gravado por gente como a Elis Regina, o Tom Jobim. Tenho muito orgulho de tudo isso.

Você acredita que o disco Clube da Esquina continua influenciando gerações?

O Clube formou e informou várias gerações que fazem música de qualidade. Mesmo depois de 40 anos, a perenidade é impressionante. Vejo nos meus shows, gente de 15, 20 anos de idade cantando O trem azul, Um girassol da cor de seu cabelo, Paisagem da janela. O disco só é forte até hoje porque foi feito com muita verdade. As pessoas se empenharam muito. Agradeço a todos os músicos que contribuíram para fazer aquele álbum: Novelli, Robertinho Silva, Toninho Horta, Luiz Alves e tantos outros. Todo aquele clima de fraternidade e criatividade que imperava. Até hoje, as minhas músicas mais conhecidas são do disco Clube da Esquina. Analiso a minha carreira hoje e vejo que tudo começou com essa história do Clube.

E as comemorações pelos 40 anos? Como andam?
Tem que esperar o aval do Milton. Qualquer comemoração envolvendo o Clube da Esquina tem que partir do Milton, porque ele é o titular da pasta (risos). Se ele fizer o convite, ótimo. A gente vai com certeza. Basta o Bituca estalar os dedos.

Você acha que seria possível fazer um Clube da Esquina 3, apesar de o Milton afirmar que o Angelus já seria esse Clube 3?
Acho que não seria necessário. Os dois Clubes foram suficientes para mostrar muita coisa boa. O Clube 2 projetou a carreira de muita gente, abriu as portas para várias pessoas. E no primeiro também. Todo mundo que participou teve um upgrade na carreira.

E você mantém contato com os integrantes do Clube, continua compondo com eles?

Muito pouco. Tenho contato com Bituca, o Márcio, meu irmão. A gente vai seguindo a vida, tendo a própria carreira, os próprios projetos. Faço coisas com o Márcio, mas hoje meus principais parceiros são o Samuel Rosa – a gente tem feito muita coisa bacana – e a Patrícia Maês (mulher de Lô), que inclusive assina comigo cinco músicas no meu trabalho mais recente, o Horizonte vertical.

Fonte : Divirta-se Uai